HOMILIA DE ENCERRAMENTO DO RETIRO

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Meus irmãos e minhas irmãs,

chegamos ao final deste retiro, mas não ao final do caminho. Aquilo que vivemos nestes dias precisa agora entrar na vida concreta.

Jesus nos chamou novamente ao essencial: “Permanecei em mim.” Antes de fazermos muitas coisas para Deus, precisamos aprender a estar com Deus. Antes da atividade pastoral, vem a comunhão com Cristo. Antes dos nossos projetos e esforços, está a primazia da graça; porque Jesus é muito claro: “Sem mim nada podeis fazer.”

E a Palavra deste domingo nos mostra um dos frutos dessa intimidade com Cristo: uma nova maneira de amar o irmão. São Paulo nos diz: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo.” E Jesus nos ensina a corrigir sem humilhar, a conversar antes de condenar, a reconciliar antes de dividir.

Por isso, eu gostaria de deixar algumas decisões muito concretas para depois deste retiro.

Primeiro: reservar todos os dias um tempo para Jesus. Mesmo que sejam dez ou quinze minutos. Silêncio, oração, presença. Não apenas pedir coisas, mas permanecer diante dele e dizer: “Senhor, aqui estou.”

Segundo: voltar à Palavra de Deus. Neste Mês da Bíblia, não deixemos a Bíblia fechada. Um pequeno trecho por dia pode iluminar nossos pensamentos, nossas escolhas e nossos relacionamentos. A própria liturgia de hoje nos recorda: “Não fecheis o coração; ouvi hoje a voz de Deus.”

Terceiro: cuidar da vida sacramental. A Eucaristia não pode ser apenas mais um compromisso do domingo; ela é encontro com Cristo vivo. E, quando percebermos que o pecado foi endurecendo o coração, tenhamos a humildade de procurar o Sacramento da Reconciliação e recomeçar.

Quarto: escolher uma pessoa para amar melhor. Talvez alguém da família, da comunidade ou da pastoral com quem exista distância, mágoa ou dificuldade. Que o retiro produza um gesto concreto: uma conversa, um pedido de perdão, uma aproximação, uma atitude de misericórdia.

E, finalmente, retomar nossa missão. Não precisamos necessariamente fazer mais coisas. Precisamos fazer aquilo que já fazemos com outro coração. Servir sem buscar reconhecimento. Acolher sem escolher pessoas. Corrigir sem ferir. Trabalhar pastoralmente sem deixar que a atividade ocupe o lugar da intimidade com Jesus.

É aqui que a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus se torna muito concreta: permanecer junto ao Coração de Cristo para aprender a sentir, olhar, perdoar e amar com o Coração de Cristo.

Meus irmãos, o retiro termina, mas a missão recomeça.

Que daqui saiamos não apenas dizendo: “Foi um belo retiro”, mas podendo dizer: “Jesus me encontrou, alguma coisa precisa mudar em minha vida e eu quero permanecer nele.”

E quando voltarmos às nossas casas, famílias, trabalhos e pastorais, que as pessoas percebam, não porque falamos do retiro, mas porque encontraram em nós um pouco mais do Coração de Jesus.

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.”

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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