Ef 5,1-2.21-33 e Mt 7,24-27 – “É tempo de júbilo em nossa vida”
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje encerramos a Semana Nacional da Família com grande alegria e gratidão a Deus. É uma alegria que não é apenas emotiva, mas profundamente espiritual, pois estamos diante de um dom precioso: o dom da família. Celebramos no contexto do Ano Jubilar e dos 90 anos da nossa paróquia, o que nos faz reconhecer que somos parte de uma história maior, feita de fé, de testemunhos, de lutas e de vitórias.
A primeira leitura, da Carta de São Paulo aos Efésios, é um hino ao amor conjugal. São Paulo não fala de um amor passageiro ou condicionado, mas de um amor que tem como modelo o próprio Cristo, que “amou a Igreja e se entregou por ela”. Esse amor é entrega, é sacrifício, é cuidado.
Para os namorados que estão no início de um caminho, essa Palavra é um convite à construção de um relacionamento sobre alicerces firmes, não apenas na afinidade ou no afeto, mas no compromisso. Para os noivos, é um chamado à preparação consciente e profunda para o matrimônio, cultivando a fé, a oração e o diálogo. Para os recém-casados, é o lembrete de que a união de vocês é chamada a ser um sinal visível do amor de Deus no mundo.
E para os casais que já caminham juntos há muitos anos, essa leitura recorda que o amor maduro se constrói na perseverança, na capacidade de recomeçar todos os dias e na certeza de que o outro é um presente de Deus.
O Evangelho nos traz a parábola das duas casas. Uma construída sobre a rocha, outra sobre a areia. Aqui, Jesus não promete uma vida sem tempestades. Pelo contrário, Ele afirma que as chuvas, ventos e enchentes virão para todos. A diferença está no alicerce. Quando Cristo é a rocha sobre a qual construímos nossa vida, as provações não nos destroem, mas nos fortalecem.
Quantas famílias já passaram ou estão passando por momentos de dor, doença, desemprego ou conflitos? A fé não nos isenta dessas realidades, mas nos dá a força e a sabedoria para enfrentá-las. É como disse o Papa Francisco na Amoris Laetitia: “Nenhuma família é perfeita, mas todas podem crescer com a graça de Deus” (cf. AL 325).
Essa mensagem nos chama a uma esperança realista. Não é uma esperança ingênua que fecha os olhos aos problemas, mas uma esperança firme, que sabe que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). É essa presença de Deus que sustenta o matrimônio, renova o diálogo, cura as feridas e faz florescer o amor mesmo em terrenos áridos.
Queridos irmãos, a família cristã é chamada a ser igreja doméstica (cf. LG 11), lugar onde a fé é transmitida, a caridade é vivida e o perdão é praticado. Por isso, cada lar deve ser também um pequeno santuário, onde a oração não é um hábito distante, mas parte da vida cotidiana. Como Maria e José acolheram Jesus em sua casa, assim cada um de nós é chamado a acolher Cristo em sua família.
Vocês que já caminham juntos há muitos anos, sejam luz para as novas gerações, mostrando que vale a pena amar, perdoar e permanecer fiéis. Namorados e noivos, sejam corajosos para ir contra a corrente de uma cultura que banaliza o amor e relativiza o compromisso. Recém-casados, guardem no coração que o amor precisa ser alimentado diariamente, com palavras, gestos e atitudes.
Daqui a pouco, vamos consagrar nossas famílias ao Sagrado Coração de Jesus. Não será apenas um momento bonito, mas um ato profundo de fé: estaremos colocando diante do Senhor cada história, cada alegria e cada lágrima. Estaremos dizendo: “Senhor, queremos que Tu sejas a rocha da nossa casa, o centro do nosso amor, a força da nossa caminhada.”
Que essa consagração seja o início de um novo tempo em nossos lares: tempo de diálogo, de paciência, de perdão e de fidelidade. E que, sustentados pelo Coração de Jesus, possamos ser famílias que edificam a sociedade e a Igreja com amor, paz e esperança.
Sagrado Coração de Jesus, nós confiamos em Vós.
Amém.
