Ainda dentro da Oitava de Páscoa, os Evangelhos nos conduzem por um mesmo caminho vivido em diferentes encontros: Jesus ressuscitado vem ao encontro dos seus, abre os olhos da fé, aquece o coração e envia em missão.
Diante do túmulo vazio, nasce o primeiro movimento da fé. Os discípulos “viram e creram” (Jo 20,8), mesmo sem compreender plenamente. A Ressurreição se revela assim: não como uma ideia, mas como um acontecimento que pede abertura interior e confiança.
No encontro com Maria Madalena, percebemos que a fé é também profundamente pessoal. É ao ser chamada pelo nome — “Maria!” (Jo 20,16) — que ela reconhece o Senhor. Deus continua a nos chamar assim, de forma única, tocando o coração de cada um.
No caminho de Emaús, Jesus se aproxima dos discípulos, caminha com eles e ilumina suas dores com a Palavra. E eles reconhecem depois: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava?” (Lc 24,32). Antes de enxergar com os olhos, é o coração que começa a compreender.
Quando Jesus aparece no meio dos discípulos, traz uma saudação que transforma: “A paz esteja convosco” (Lc 24,36). Mas essa paz não é apenas conforto — ela abre um novo caminho. Eles são enviados: “Vós sereis testemunhas disso” (Lc 24,48).
E, na simplicidade do cotidiano, à beira do lago, Jesus se revela novamente. No gesto de partilhar o alimento — “Vinde comer” (Jo 21,12) — Ele mostra que continua presente, cuidando, reunindo e fortalecendo os seus.
Assim, ao longo desta semana, a Igreja nos convida a reconhecer o Ressuscitado que vem ao nosso encontro, a deixar que a Palavra reacenda o coração e a responder com uma vida nova, feita de fé, esperança e testemunho. Porque a Ressurreição não é apenas algo para recordar… é uma realidade para viver todos os dias.
