“Onde está Deus no meio de um mundo ferido?”
Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de hoje parece escrito para o nosso tempo. Os discípulos de Emaús caminhavam tristes, decepcionados, confusos. Tinham notícias, conversas, versões, lembranças de tudo o que havia acontecido com Jesus. Mas, apesar de tanta informação, estavam sem paz, sem direção e sem esperança.
Não é assim também o mundo de hoje? Nunca tivemos tanta comunicação, e nunca houve tanta solidão. Nunca tivemos tanta tecnologia, e tão pouca profundidade interior. Nunca estivemos tão conectados, e ao mesmo tempo tão distantes uns dos outros, tão distantes da família, tão distantes de nós mesmos e, pior ainda, tão distantes de Deus.
Vivemos num mundo marcado por guerras, misérias, incertezas, corrupção, perda de valores, feridas morais, vícios de toda sorte, famílias abaladas e consciências confusas. E, diante disso, muitos perguntam: onde está Deus?
Mas talvez a pergunta mais séria seja outra: onde está o nosso tempo para Deus?
Porque para tantas coisas nós arranjamos tempo. Tempo para o celular. Tempo para as redes sociais. Tempo para notícias, vídeos, conversas, distrações, compromissos, compras, viagens, trabalho, futebol, séries, mensagens. Mas quando se trata de Deus, logo aparece a frase: “não tenho tempo”.
A Missa demora. Rezar cansa. Ler a Palavra exige silêncio. Participar da comunidade pede perseverança. Confessar-se pede humildade. Adorar pede interioridade.
E assim, pouco a pouco, muitos vão se tornando prisioneiros do tempo justamente naquilo que mais salvaria sua alma. Correm o dia inteiro, mas não param para Deus. Gastam horas diante das telas, mas quase nenhum minuto diante do Senhor. Procuram respostas na internet, mas já não se ajoelham com simplicidade para buscar o Ressuscitado.
O problema não é que Deus tenha desaparecido. O problema é que Ele já não recebe espaço verdadeiro em muitas vidas.
E então o coração adoece. A alma fica cansada. A pessoa vive acelerada por fora e vazia por dentro. Tem agenda cheia, mas sentido pequeno. Tem mil contatos, mas pouca comunhão. Tem informação demais, mas quase nenhuma sabedoria espiritual.
No Evangelho, Jesus se aproxima dos discípulos. Caminha com eles. Escuta, ilumina, aquece o coração e depois se deixa reconhecer ao partir o pão. É aí que tudo muda. Eles reencontram sentido, fé, direção.
Aqui está a resposta para nós: o Ressuscitado continua passando em nossa vida. Mas é preciso dar-Lhe tempo. Tempo para a oração. Tempo para a Palavra. Tempo para a Missa. Tempo para a Eucaristia. Tempo para a comunidade. Tempo para o silêncio interior.
Porque quem não dá tempo para Deus, acaba dando a alma para outras coisas. E quem não se alimenta do Ressuscitado, acaba vivendo de migalhas espirituais.
Hoje, o Senhor nos chama com firmeza e amor: voltem à fonte. Voltem à Eucaristia. Voltem à vida de oração. Voltem a dar a Deus o lugar que é de Deus. Temos tempo para tudo. Precisamos ter tempo também para encontrar o Ressuscitado.
Frase final: Quem não encontra tempo para Deus, acaba perdendo o sentido do próprio tempo; mas quem encontra o Ressuscitado reencontra o rumo, a paz e a esperança.
