Com espiritualidade, catequese litúrgica e apelo à participação fiel de toda a comunidade na Semana Santa.
Meus irmãos e irmãs, hoje entramos na Semana Santa. E a liturgia de hoje é muito rica, porque começa com os ramos, com a procissão, com a aclamação: “Hosana ao Filho de Davi!”; mas depois nos conduz ao relato da Paixão do Senhor. A Igreja faz isso de propósito, para nos mostrar que Jesus é acolhido como Rei, mas reina não pela força, e sim pelo amor, pela humildade e pela entrega de si.
Ele entra em Jerusalém montado num jumentinho. Não vem como rei poderoso segundo a lógica do mundo. Vem manso. Vem pobre. Vem humilde. Vem para servir. E aqui está a primeira lição de hoje: o verdadeiro poder de Deus não se impõe pela violência, mas se manifesta no amor que se oferece.
Depois, a Palavra nos leva mais fundo. Isaías nos apresenta o Servo fiel que não recua diante do sofrimento. São Paulo nos mostra Cristo que se humilha, assume a condição de servo e se faz obediente até a morte, e morte de cruz. E na Paixão segundo São Mateus nós contemplamos esse amor levado até o fim: Jesus é traído, abandonado, negado, humilhado, crucificado, mas permanece fiel ao Pai e fiel a nós.
Por isso, meus irmãos, o Domingo de Ramos faz uma pergunta séria a cada um de nós: queremos apenas aclamar Jesus ou queremos realmente segui-lo? Porque é fácil estar com Ele no momento dos ramos. Difícil é permanecer com Ele quando chega a cruz. É fácil cantar “Hosana”. Difícil é obedecer, perdoar, perseverar, carregar a própria cruz, viver como discípulo de verdade.
E aqui eu queria fazer um apelo muito sincero à nossa comunidade do Sagrado Coração de Jesus: não basta participar hoje; é preciso viver a Semana Santa inteira, de verdade, com fidelidade e espírito cristão. Não basta trazer o ramo para casa. Não basta vir à procissão. Não basta achar bonito. É preciso caminhar com Jesus. É preciso entrar no mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.
A Semana Santa não é apenas uma sequência de celebrações. É o coração da nossa fé. Nela, nós vemos o amor de Cristo que se entrega na Eucaristia, que sofre no Horto, que carrega a cruz, que morre por nós e que ressuscita vencedor. Quem vive bem esta semana nunca sai igual. Quem entra de verdade nesses dias compreende melhor o amor de Deus, a gravidade do pecado, a força da cruz e a esperança da ressurreição.
Então eu peço a todos: participem. Participem da Quinta-feira Santa. Participem da Sexta-feira da Paixão. Participem da Vigília Pascal e do Domingo da Ressurreição. Organizem-se. Façam esse esforço por amor a Cristo. Não deixem Jesus sozinho nesta semana. Não vivam estes dias apenas por fora. Vivam com alma, com oração, com silêncio, com reverência, com confissão, com presença verdadeira.
A liturgia desses dias não é teatro religioso. Não é simples recordação. A liturgia nos faz entrar sacramentalmente no mistério que celebramos. A procissão significa que a Igreja caminha com Cristo. A Paixão proclamada nos coloca diante do preço do nosso resgate. E a Semana Santa inteira nos conduz ao centro da nossa salvação: Jesus morreu por nós e ressuscitou para nos dar vida nova.
Por isso, hoje, com os ramos nas mãos, nós não queremos apenas dizer “Hosana” com os lábios. Queremos dizer “Hosana” com a vida. Queremos seguir o Rei humilde. Queremos acompanhar o Senhor até a cruz, para depois participar com Ele da glória da Ressurreição.
Que a comunidade do Sagrado Coração de Jesus viva esta Semana Santa com profundidade, fidelidade e amor. E que ninguém perca a graça desses dias santos, porque neles está o mistério maior da nossa fé: a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Que o Senhor nos conceda a graça de não apenas começar bem a Semana Santa, mas percorrê-la com Ele, com coração fiel, presença verdadeira e desejo sincero de conversão.
