HOMILIA DE NATAL: SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

“Deus faz-se pequeno para nos encontrar”

Irmãos e irmãs,

Nesta noite santa, a luz do Natal acende-se no lugar mais improvável: uma manjedoura.

Não num palácio, não entre aplausos, não no centro do poder, mas na simplicidade, no silêncio, na pobreza.

É assim que Deus escolhe entrar na história.

E isto continua a surpreender-nos.

Deus faz-se pequeno. Faz-se criança.

Precisa de braços que o acolham, de um teto que o proteja, de um coração que o reconheça.

O Todo-Poderoso não impõe a sua força, mas confia-se à nossa fragilidade.

Este é o grande mistério do Natal: Deus não vem para nos dominar, vem para nos amar.

A manjedoura fala-nos.

Fala-nos de um Deus que não tem medo da nossa pobreza, das nossas feridas, das nossas noites escuras.

Pelo contrário: Ele escolhe precisamente esse lugar.

Quantas vezes pensamos que Deus só pode estar onde tudo está em ordem, onde a vida corre bem?

Mas o Natal diz-nos o contrário: Deus nasce onde falta espaço, onde falta pão, onde falta esperança.

Os primeiros a receber a notícia não são os poderosos, mas os pastores — pessoas simples, marginalizadas.

O Natal não é apenas uma história bonita; é uma pergunta dirigida a nós: onde procuramos Deus?

Hoje, Deus continua a nascer.

Nasce quando escolhemos a paz, o perdão e a partilha.

O Menino Jesus entrega-se.

E pede-nos apenas um lugar.

O Natal é a festa da esperança humilde.

O mal não tem a última palavra.

Que este Menino nos ensine o caminho da ternura.

E que nos tornemos sinais vivos de que Deus caminha conosco.

Feliz Natal.

Pe. Hércules Alves de Souza

Pároco

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