Tema: “Escutar, acolher e testemunhar Cristo no cotidiano”
Memória de São João XXIII, o Papa do Diálogo e da Paz
Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho deste dia é breve, mas profundamente revelador.
Enquanto Jesus falava ao povo, uma mulher Lhe disse:
“Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram.”
Mas Jesus respondeu:
“Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.” (Lc 11,27-28)
Com essas palavras, o Senhor nos ensina que a verdadeira bênção não está apenas na proximidade física com Ele, mas na intimidade espiritual com a Sua Palavra.
Não basta ouvir — é preciso deixar que a Palavra transforme o coração, oriente nossas escolhas e se manifeste nas atitudes do dia a dia.
Escutar, acolher e testemunhar Cristo no cotidiano: esse é o caminho do discípulo.
Escutamos com o ouvido da fé, acolhemos com o coração humilde e testemunhamos com gestos concretos — no trabalho, na família, nas pequenas relações humanas onde Deus se faz presente silenciosamente.
É na rotina, muitas vezes cansativa, que a fé se prova verdadeira.
Quando perdoamos alguém, quando escolhemos o bem mesmo sem aplausos, quando levamos serenidade onde há tensão — aí está o Evangelho vivo.
Jesus é, e sempre será, nosso refúgio, nossa esperança e nossa paz.
Hoje a Igreja celebra São João XXIII, o Papa que abriu as janelas da Igreja para que o Espírito Santo soprasse com nova força através do Concílio Vaticano II.
Ele acreditava profundamente que a Igreja deveria falar com o mundo moderno, não com medo, mas com confiança. Disse ele, na abertura do Concílio:
“Não é o Evangelho que muda; nós é que começamos a compreendê-lo melhor, e é preciso que ele brilhe mais claramente para os homens do nosso tempo.”
Que sabedoria e que atualidade!
São João XXIII foi o Papa do diálogo e da paz, o homem que sonhou com uma Igreja de portas abertas, próxima do povo, capaz de escutar antes de julgar, e de acolher antes de condenar.
Seu coração era tão simples e luminoso que muitos o chamavam de “o bom Papa João”.
Assim também deve ser cada cristão: uma porta aberta de misericórdia, uma presença de paz, um reflexo do Coração de Jesus no meio do mundo.
Escutemos o Senhor com fé, acolhamos a Sua vontade com humildade e testemunhemos com coragem o Seu amor.
Que em cada gesto nosso, o mundo possa reconhecer o rosto sereno de Cristo.
E, inspirados em São João XXIII, rezemos:
“Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Que onde houver ódio, levemos amor;
onde houver trevas, levemos luz;
e onde houver desânimo, levemos a esperança que nasce do vosso Coração.”
E, com o coração em festa, quero também deixar um convite cheio de fé e ternura:
amanhã, 12 de outubro, celebraremos Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do Brasil!
Ela, que ouviu a Palavra e a guardou no coração, é o exemplo perfeito de quem escuta, acolhe e vive o amor de Deus.
Venham celebrar conosco este dia de graça!
Tragam suas famílias, suas flores, suas intenções e o coração cheio de confiança.
Que ninguém falte à mesa da Mãe, porque onde está Maria, está também Jesus.
E juntos, como filhos amados, diremos:
“Ó Maria, Mãe Aparecida, ensina-nos a ouvir a Palavra e a viver com amor o Evangelho do teu Filho!”
Assim, irmãos e irmãs, seremos verdadeiramente felizes, porque viveremos como quem ouve e põe em prática a Palavra de Deus — no coração, nas atitudes e no cotidiano da vida.
Amém.
