25º Domingo do Tempo Comum

Tema: Escolher valores duradouros, valores eternos

Irmãos e irmãs, a Palavra hoje nos coloca diante de uma pergunta simples e decisiva: a quem o meu coração serve? Ao Deus vivo, que nos ama e nos liberta, ou ao “deus” dinheiro, que promete tudo e entrega vazio, divisão e morte?

1) O grito que sobe ao céu (Am 8,4-7)

O profeta Amós desmascara a lógica da ganância: “pisam os pobres”, “falseiam balanças”, tratam gente como mercadoria. O lucro, quando se torna absoluto, desumaniza: transforma o próximo em objeto, normaliza o jeitinho, banaliza a injustiça, anestesia a consciência. Hoje vemos o mesmo: famílias endividadas, jovens sem horizonte, trabalhadores exaustos, saúde do corpo e da alma adoecida. A Bíblia chama isso de pecado que clama aos céus, porque toca o que Deus mais ama: a dignidade de seus filhos.

2) A inteligência da fé (Lc 16,1-13)

O Evangelho traz a parábola do administrador astuto. Jesus não elogia a desonestidade; elogia a esperteza de quem se mexe quando percebe que não pode continuar do mesmo jeito. É um “sacode” do céu: se os filhos deste mundo se organizam com tanta agilidade para garantir interesses, por que os filhos da luz tantas vezes são lentos para colocar o Reino em primeiro lugar?

Depois, o Senhor dá três chaves muito concretas:

  • “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito.” A conversão começa nos detalhes: recibo em ordem, palavra cumprida, impostos pagos, respeito ao horário, cuidado com o que é dos outros.
  • “Se não fostes fiéis no dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro?” O uso do dinheiro revela a direção do coração. O Evangelho pergunta: minhas escolhas financeiras cooperam com a vida ou alimentam injustiças?
  • “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” Não há meio-termo. O dinheiro é um ótimo servo e um péssimo senhor. Quando governa, divide a casa, esfria o amor, seca a oração.

3) O horizonte da esperança (1Tm 2,1-8)

São Paulo nos manda rezar por todos, especialmente por quem governa, para que possamos viver “vida calma e serena, com toda piedade e dignidade”. A comunidade cristã não se resigna diante da injustiça: reza, discerne e age. O nosso combate não é contra pessoas, mas contra a lógica do egoísmo que mata. E nossa força é esta certeza: Deus quer a salvação de todos e nos dá, em Cristo, a graça de recomeçar.

4) Feridos e chamados a cuidar

“Padre, estou cansado, endividado, ansioso.” Quantos chegam assim… O Evangelho não vem para condenar quem errou, mas para curar: curar a compulsão de comprar para preencher vazios, curar a inveja que intoxica relações, curar a ambição que isola. Jesus nos educa para uma liberdade maior: usar os bens sem ser possuído por eles; escolher a simplicidade que abre espaço para Deus e para o irmão.

5) Passos concretos de conversão (além da oração)

A oração é a respiração da alma; sem ela não caminhamos. Mas hoje o Senhor nos pede gestos objetivos, capazes de tocar a vida real. Proponho, em nome do Evangelho, um caminho simples e exigente:

  1. Exame de consciência financeiro: anote entradas e saídas; identifique desperdícios, consumos por ansiedade e gastos que alimentam injustiças. Decida cortar um supérfluo e redirecionar para um bem (caridade, estudo de um filho, remédio de alguém).
  2. Ordem e transparência: regularize o que puder (dívidas, contratos, impostos). Prometa não usar o jeitinho que prejudica o bem comum, mesmo que “todo mundo faça”. Cristão não negocia com a mentira.
  3. Justiça no trabalho: se você emprega pessoas, revise salário, descanso e respeito. Se você trabalha para alguém, ofereça fidelidade, qualidade e honestidade. Justiça é amor em forma de estrutura.
  4. Reparação: se você lesou alguém, repare na medida do possível. Confissão sacramental + atitude concreta = liberdade verdadeira.
  5. Simplicidade escolhida: faça um dia de sobriedade por semana (sem compras, sem delivery por impulso, sem consumo digital de vitrines). Use o tempo para visitar alguém, brincar com os filhos, ler a Palavra.
  6. Solidariedade programada: defina porcentagem fixa de sua renda para a caridade (dízimo generoso e alguma obra de misericórdia). Não é esmola ocasional; é projeto de vida que educa o coração.
  7. Consumo responsável: prefira produtos e serviços que respeitam pessoas e a criação; evite empresas e práticas que exploram. Pequenas escolhas criam cultura do Reino.
  8. Tempo é moeda: organize a agenda para doar tempo – escutar um idoso, reforço escolar a uma criança, uma pastoral, um mutirão. O tempo entregue cura tanto quem dá quanto quem recebe.
  9. Educação do desejo (em família): conversem sobre propaganda, status, comparações. Ensinem as crianças a diferença entre querer e precisar. Façam juntos uma lista de “bens que o dinheiro não compra”.
  10. Intercessão social: escolha uma causa (famílias enlutadas, moradores de rua, desempregados) e comprometa-se com um gesto mensal concreto. Rezar é também organizar o amor.

6) Onde está o teu tesouro…

Jesus não veio empobrecer a vida, mas libertar o coração. O dinheiro pode comprar remédios, mas não a saúde; pode comprar casa, mas não lar; pode comprar segurança, mas não paz. O único tesouro que atravessa a morte são os relacionamentos de amor, a justiça praticada, a misericórdia oferecida. Por isso Ele nos convida hoje a uma santa esperteza: usar os bens para ganhar amigos para o céu – isto é, transformar recursos em encontros, dignidade, proximidade com os que sofrem.

7) Um apelo final

Se hoje o Espírito Santo te mostrou algum ponto concreto a mudar, não adie. Escolha um passo e conte a alguém de confiança para ajudar a perseverar. Aos que estão feridos por perdas, dívidas e culpas: não tenham medo. A Igreja é casa de reconciliação. Procure a Confissão. Procure ajuda. Cristo não nos chama para humilhar, mas para reerguer. Ele próprio, pobre e livre, nos estende a mão.

“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” (Lc 16,13)

Hoje renovemos nossa decisão: Servir a Deus. E, servindo a Deus, servir os irmãos. Aí está a alegria que não passa, o tesouro que nenhuma crise rouba e a paz que desce do céu para curar nosso corpo e nossa alma.

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