HOMILIA NO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Meus irmãos e minhas irmãs,

a Palavra de Deus deste domingo nos ensina uma coisa muito concreta: quem ama de verdade não é indiferente ao irmão.

Na primeira leitura, Deus diz ao profeta Ezequiel: “Eu te estabeleci como sentinela.” A sentinela é aquela que vigia, percebe o perigo e avisa. Portanto, diante do irmão que está se perdendo, o cristão não pode simplesmente dizer: “O problema é dele”. Somos responsáveis uns pelos outros.

Mas aqui existe um cuidado muito importante.

Jesus não nos autoriza a julgar, humilhar ou expor ninguém. No Evangelho, Ele ensina: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo.”

Que sabedoria!

Antes de contar para os outros, fale com o irmão. Antes de condenar, escute. Antes de espalhar, procure reconciliar.

Talvez esta seja uma Palavra especialmente necessária para nós hoje. Quantos sofrimentos começam porque aquilo que deveria ser uma conversa entre duas pessoas transforma-se rapidamente em comentário, julgamento, grupo de mensagens, fofoca e divisão.

Jesus propõe exatamente o contrário: discrição, diálogo, paciência e misericórdia.

E São Paulo nos oferece a chave de toda a liturgia: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo.”

Mas atenção: amor cristão não significa simplesmente concordar com tudo. Às vezes, amar significa acolher; outras vezes, significa perdoar; e algumas vezes significa também ter coragem de dizer, com delicadeza: “Meu irmão, este caminho não está fazendo bem.”

A correção cristã só é verdadeira quando nasce do amor e deseja a salvação do outro, nunca sua humilhação.

E há ainda uma pergunta que precisamos fazer antes de corrigir alguém: Como está o meu próprio coração?

Porque é muito fácil enxergar o erro do outro e esquecer nossas próprias fragilidades.

Por isso o salmo hoje nos adverte: “Não fecheis o coração; ouvi hoje a voz de Deus.”

Neste Mês da Bíblia, talvez possamos assumir um propósito muito simples: antes de falar tanto dos outros, escutar um pouco mais a Palavra de Deus. Ela purifica nosso olhar, educa nossa língua e transforma nosso coração.

E Jesus termina dizendo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.”

Que bela definição da comunidade cristã!

A Igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas. É uma comunidade de irmãos que se ajudam, se corrigem, se perdoam e recomeçam juntos.

Aqui, na comunidade do Sagrado Coração de Jesus, aprendamos deste Coração aquilo que talvez seja uma das formas mais difíceis do amor: cuidar do irmão sem julgá-lo, dizer a verdade sem feri-lo e ajudá-lo a recomeçar sem jamais desistir dele.

Porque, no fim, permanecerá sempre esta dívida: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo.”

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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