15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

O SEMEADOR QUE NÃO DESISTE DE NÓS

Meus irmãos e minhas irmãs,

Diante da parábola do semeador, normalmente fazemos uma pergunta importante: “Que tipo de terreno é o meu coração?” Hoje, porém, gostaria de propor uma reflexão um pouco diferente. Antes de olharmos para o terreno, olhemos para o semeador.

Um agricultor cuidadoso procura não desperdiçar sementes. Escolhe o terreno e evita lançá-las entre pedras, espinhos ou à beira do caminho. Mas o semeador da parábola lança a semente em todos os lugares. Jesus não está ensinando agricultura; está revelando como Deus se relaciona conosco.

Deus não ama fazendo cálculos. Não oferece sua Palavra somente às pessoas que já estão prontas, santas e organizadas. Ele semeia também nos corações feridos, distraídos, endurecidos, cansados e confusos. Continua falando mesmo quando parecemos não escutar.

Muitas vezes pensamos: “Primeiro preciso organizar minha vida; depois me aproximo de Deus. Primeiro preciso vencer meus pecados; depois volto à Igreja”. O Evangelho nos diz o contrário: é justamente porque ainda somos terreno difícil que Deus continua semeando em nós. Ele não espera nossa perfeição para nos amar. É seu amor que começa a transformar a terra do nosso coração.

São João Crisóstomo observava que, na natureza, uma pedra não se transforma em terra. Mas o coração humano pode mudar. O terreno pedregoso pode tornar-se fértil, os espinhos podem ser arrancados e o solo endurecido pode voltar a receber a semente.

Por isso, ninguém deve ser considerado um caso perdido. Não existe pessoa na qual Deus não possa trabalhar, família que Deus tenha abandonado ou pecado maior que a sua misericórdia.

Talvez alguém esteja vivendo um tempo de pedras: mágoas antigas, decepções, cansaço ou falta de esperança. Outros podem estar sufocados pelos espinhos das preocupações, da ansiedade, do trabalho excessivo ou dos conflitos familiares. Mesmo assim, o Senhor continua semeando.

A primeira leitura recorda que a Palavra que sai da boca de Deus não volta sem produzir algum efeito. Nem sempre percebemos imediatamente seus frutos. A semente trabalha escondida debaixo da terra. Uma palavra escutada na infância pode germinar muitos anos depois. Uma oração de uma mãe pode sustentar silenciosamente um filho. Um gesto de perdão pode iniciar uma transformação ainda invisível.

Isso também nos ensina a não desistir de semear. Os pais não devem abandonar a transmissão da fé aos filhos. Catequistas e agentes de pastoral não devem medir a missão apenas pelos resultados imediatos. Nós, sacerdotes, também precisamos recordar que o crescimento da semente não depende somente de nossos esforços, mas da ação silenciosa do Espírito Santo.

O bom terreno não é necessariamente um coração perfeito. É o coração que aceita ser trabalhado por Deus. É aquele que permite ao Senhor retirar uma pedra, arrancar um espinho, curar uma ferida e abrir novamente espaço para a esperança.

Jesus fala de frutos diferentes: trinta, sessenta ou cem por um. Deus não exige que todos produzam da mesma maneira. Conhece a história, os limites e as possibilidades de cada pessoa. O importante é não permanecer fechado, mas permitir que a graça produza frutos verdadeiros.

Nesta semana, escolhamos uma semente da Palavra para guardar: uma breve leitura do Evangelho, uma oração diária, um perdão, uma reconciliação ou um gesto concreto de caridade. E procuremos também semear no coração de alguém, sem exigir resultados imediatos.

No Sagrado Coração de Jesus encontramos esse amor que não economiza sementes e não desiste de nenhum coração. Que o Senhor faça de nós não apenas terra fecunda, mas também semeadores generosos, pacientes e cheios de esperança.

Amém.

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